quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Conversa condicional a dois sobre o pouco que sobrou do retrato do estranho moço de paquetá no vento suingado de verão e seu tradicional azedume

Veja você...

Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar

Hoje eu entendi
Sonho não se dá

.

De perto eu não quis ver
Que toda a anunciação era vã.

Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição

.

Sei do escândalo e eles têm razão.

E hesitei, fiz o pior

Não me entenda aqui por mal

Eu não sambo mais em vão

(...)

mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...

(...)

Se quer saber, deixa estar...

Põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Não tô muito afim de novidade. Fila em banco de bar.

Tira esse azedume do meu peito

Eu quero paz

Cansei de procurar

.

Eu não vou mudar não
Eu que controlo meu guidon

Eu vou ficar são

.

Eu falo

Não me calo.
Tiro sarro

E vou ser coroado rei de mim.

.

Eu sei, não é assim.

Mas deixa eu fingir...

E rir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DDA

celular (+ de 10), carteira (mais de 10), lápis, borracha, apontador, lápis de cor, garrafa d'água, memória, dignidade, chaves, videogame, amigos, cds, rádio, uma churrasqueira, livros, revistas, caderno, fichário, palavras, mulheres, fotos, máquinas fotográficas, resultado de exame, pedido de exame, horas, carro, bicicleta, relógios...

já perdi.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Últimos pensamentos de um cachorro velho.

"éééééé, cansei de ficar deitado aqui... acho que vou ficar deitado ali... mas só depois de comer um pouco (a mesma ração que tenho comido nos últimos dez anos)... tava pensando em dar uma cagada logo agora, mas pra que gastar toda diversão de uma vez?" _ e ele não chegou a dar a ultima cagada...E eu reclamo da minha rotina...

domingo, 11 de outubro de 2009

A fina arte de ser chato (baseado em fatos reais)

Essa é uma história verdadeira sobre o sofrimento de um inocente e não tem graça.
Todos conhecemos no mínimo uma pessoa chata certo? Errado! Depois da experiência que acabo de viver cheguei à conclusão que todos pensamos conhecer pessoas chatas, mas ninguém realmente sabe o quanto o cérebro humano tem capacidade de produzir chatices. Não até conhecer o personagem da minha narração. (q chamaremos de Sr. W)
Era mais uma tarde de sexta-feira, eu como sempre entro no ônibus em Niterói depois de uma semana de estudo, esperando estar na minha casa em Rio Bonito após cerca de uma hora de uma viagem tranqüila... Mal sabia eu o quanto estava enganado, pois ao meu lado estava uma figura, até carismática admito, que com um sorriso no rosto me perguntou que horas o ônibus saia. Achei estranha a pergunta, pois os horários dos ônibus estavam estampados na parede da rodoviária, mas não vi problema em responder... Deus, como me arrependo disso.
Após minha demonstração de sociabilidade, o rapaz aparentemente viu em mim um amigo em potencial, então decidiu se apresentar formalmente _ “Oi, meu nome é Sr. W, feio né? Pelo menos as pessoas me acham fácil no orkut”_ Esbocei um meio sorriso pela sua piadinha, e acreditem, seu nome era realmente muito estranho. Mas ele não parou sua apresentação por aí, por algum motivo ele achou conveniente me falar o nome, idade e profissão de todos os seus parentes de primeiro grau. Comecei a achar meio estranha tanta euforia em se apresentar para um completo estranho, mas tudo bem, me apresentei também e o silencio se fez.

15 segundos depois o silencio acabou.

Alguém na frente do ônibus decidiu abrir um saco de biscoito, quando meu mais novo (e eufórico) amigo gritou (realmente GRITOU) _ “Não vai oferecer não? Mal educada” _ e começou a rir descontroladamente_ “se jogar o saco no chão vou falar pra todo mundo hein! Sem sujar o ônibus” _ mais risadas. Comecei a ver o que seria o resto da minha viagem aí.
Enquanto falava sobre seu irmão (meio irmão na verdade, que por sinal só procura ele quando quer alguma coisa e não foi no seu ultimo aniversário. Viu como ele detalhou sua vida?) ele decidiu que nossa conversa de duas pessoas não bastava, novamente ele GRITOU para uma menina da cadeira do lado, convidando-a a se juntar ao papo, novamente se apresentou, e dessa vez ele me apresentou. Sua felicidade era irritante, eu já começava a ter pensamento envolvendo o Sr. W sentindo dores intensas.
Resolvi tentar escapar do meu destino, educadamente com o pretexto de estar enjoado por não conseguir viajar no corredor, apenas na janela, e por isso me sentaria em outro lugar, mas o maldito bom cidadão com aquele maldito sorriso no rosto se levantou junto e ofereceu “que isso cara, senta no meu lugar”. Não tenho certeza, mas acho que essa hora me escorreu uma lágrima de um dos olhos.
Bem nesse ponto o Sr. W engatou uma conversa com a nossa amiga nova do banco do lado (que parecia estar tão interessada quanto eu na vida dele), e com o pequeno pedaço de paz que conquistei, acreditem, eu consegui dormir! 2 minutos depois fui acordado por um puxão no braço e a exclamação _ “Se eu não durmo ninguém dorme” e aquela risada insana. Nessa hora eu pensei um palavrão, mas não um palavrão qualquer, um palavrão novo... Um palavrão tão pesado que faria o João Gordo corar... Um palavrão tão sujo que nem tenho coragem de escrever aqui... Lembro de ter pensado que deve ser em momentos como esses que o palavrão é inventado, imaginei que o autor do “#!@ que pariu” ou do “vai tomar no #@” provavelmente conhecia esse cara.
Não conseguia mais nem sorrir, enquanto ele ria eu via ele deitado no chão durante um estouro de uma manada de búfalos. Ou pregado numa cruz... de cabeça pra baixo... em cima de um formigueiro com mel nas suas genitais. Mas nada parecia cruel o suficiente.
Não sei o que foi que eu fiz, ou se foi um momento de sabedoria do Sr. W, só sei que de repente, sem motivo ele me olhou nos olhos e perguntou _“Você deve estar me achando muito chato não?”_. Perdi a compostura, soltei um singelo _“Pois é”_, e agora sim o sorriso me voltou. Mas se foi quando ele começou a rir novamente e falou _“você é engraçado”_ NÃO! Não era uma piada, ele não entendia, eu realmente estava achando ele provavelmente a coisa mais chata que Deus tinha se dado o trabalho de criar. Mais chato do que dar notícia de morte de um parente. Mais chato do que ser uma cacto. Mais chato que show do Kenny G. Dolorosamente chato. Mas ele não entendia.
Mas desse desespero veio uma das cenas mais bonitas que eu já vi na vida, nesse momento nós já estávamos passando por Tanguá, quando como por mágica, o Sr. W se levanta e fala _”bom, meu ponto é esse, vou saltar. E se foi. Sério! Ele foi embora! Tipo... pra casa! Minha vida não podia ser mais perfeita, finalmente eu estava plenamente feliz, como nunca estive antes.
Por isso meus caros, não reclamem daquele priminho que você acha chato, aquele amigo que puxa a sua trança na fila de trás, ou o gordinho que sempre pede o ultimo biscoito, pois existe mais chatice entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e você sempre pode encontrar um Sr. W no seu lado nos ônibus da vida.